terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

O susto (parte 1)

17 FEVEREIRO 2015, 04:43 Ontem quase perdemos o André. Eu estava lavando a louça quando ouvi o Pedro pedir ajuda. Quando eu entrei na sala vi o André pendurado pelo pescoço no cordão da persiana. Não sei como ele conseguiu a facanha, mas se não fosse o Pedro poderíamos ter perdido ele hoje. Eu o desenrosquei do cordão, acho que tinha 2 voltas e o coloquei deitado no sofá. Não sabia o que fazer, gritei ajuda para a Dri, que entrou em pânico. Ele respirava, mas com muita dificuldade. Ela me orientou a deixar o André de lado para não se enrolar com a língua, enquanto entrava e saía da sala, tentando falar com o atendimento. O Pedro chorava de desespero no outro sofá, e eu só tinha 2 pensamentos: certificar-me de que o André não parasse de respirar e assegurar-me que o Pedro não afundasse em uma culpa que ele não tinha. Não sabia se eu fazia respiração no André ou não. Tentei até fazer uma vez, mas então ele começou a chorar com força. Involuntariamente um certo alívio veio a minha cabeça. Afinal, na minha cabeça, se ele estava chorando é porque estava respirando. Mas o choro era intermitente, com períodos de choro e de respirar com dificuldade. O Pedro resmungava que ele deveria ter feito algo e eu o tranquilizava dizendo que ele tinha feito o certo e tinha salvo a vida do irmão. A Dri, depois de falar com a polícia e os bombeiros, corria de um lado para o outro da casa. Alternando entre Perguntae onde estavam os bombeiros, abrir as portas para que eles entrassem rápido e tentar obter uma resposta do André. Eu fiquei lá, ao lado dele, tentando alguma resposta do André. Certificando-me que ele respirasse sem problemas e tentando acalmar o Pedro. Era tudo o que eu podia fazer. Não sei quanto tempo ficamos nessa rotina aterradora. Até que os bombeiros chegaram e menos de um minuto depois, os médicos do Samu. Depois de examinarem o André, conferirem se nada estava bloqueando suas vias respiratórias, perguntaram qual nosso convênio e levaram a Dri e o André para o hospital da Santa Casa de santo André. Apesar de termos um chaveiro ao lado da porta da cozinha eu tenho uma certa dificuldade em encontrar as chaves de cada, quando não estão no chaveiro ou no balcão da cozinha. Tanto que faz mais de uma semana que eu não sei onde coloquei minhas chaves . Mas isso é uma outra história. E por conta disso não tranquei a casa quando saí. Deixei aos cuidados de Deus, do Lion e da Mel. Fui com o Pedro logo atrás da ambulância, mas nos perdemos no caminho porque a ambulância pode seguir pela faixa do ônibus e eu nunca tinha vindo até este hospital. Pedi para o Pedro abrir o waze para nos guiar até o lá, quando o pastor Amdte nos ligou para saber notícias sobre o André. A ligação estava horrível. Não entendi quase nada. Mas consegui comunicar o que tinha acontecido e onde estavam a Dri e o André. Parei num posto para configurar o endereço do hospital no waze, e partimos, eu e o Pedro, para nosso destino naquela noite. O Pedro estava bem assustado e com muito remorso pelo jeito como trata o irmão, de como sistematicamente se recusa a jogar os jogos de videogame que o irmão gosta, ou de dividir suas coisas com o André. Resolvi falar de novo que ele foi o herói do dia e dei a ele a tarefa de me guiar com o waze. Chegando no hospital. O André já estava na sala de emergência e a Dri aos prantos do lado de fora. Os médicos estavam fazendo o primeiro atendimento no André e a Dri, como estava muito nervosa para entrar lá, colou o adesivo de acompanhante no meu peito e pediu que eu entrasse para acompanhar o André. O Pedro estava agarrado em mim. Eu o olhei nos olhos e pedi que ele acalmasse sua mãe. E foram os dois para as cadeiras esperar noticias. Quando eu fui entrar na sala uma segurança me impediu de entrar dizendo que eu precisava esperar um ok dos médicos para isso. Nessa hora o pastor Wilde me ligou querendo mais informações. Falei onde estávamos, e depois de falar com o pastor, a segurança veio me avisar que eu podia entrar na sala de emergência.

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